segunda-feira, fevereiro 16

O menino do pijama listrado - John Boyne


"Bruno não gostava de admitir que tinha um pouco de medo dela, mas se fosse honesto consigo mesmo - e ele sempre tentava ser - teria de reconhecê-lo."

"Era algo a se pensar, afinal, se ele pretendia seguir a recomendação da mãe e fazer o melhor de uma situação ruim."

"Ela abriu a boca para dizer alguma coisa, mas então percebeu que não encontrava as palavras para expressar sua surpresa e fez a única coisa que podia fazer, fechando-a novamente."

"'Não entendo', disse Gretel. "Quem seria capaz de construir um lugar tão assustador?'"

"Gretel olhou novamente e acenou com a cabeça, pois não era tola a ponto de insistir que estava certa o tempo todo, quando estava claro que os argumentos se voltavam contra ela."

"E um pensamento final passou pela cabeça de seu irmão, (...), e era o fato de que todos eles - os meninos pequenos, os meninos grandes, os pais, os avôs, os tios, as pessoas que vivem sozinhas nas ruas da vida e não parecem ter parentes - usavam as mesmas roupas: um conjunto de pijama cinza listrado com um boné cinza listrado na cabeça.
'Que coisa incrível', ele murmurou, antes de se voltar para o outro lado."

"Tinham sido poucas as ocasiões em sua vida nas quais ele estivera tão determinado a conseguir o que queria, e certamente ele jamais se dirigira ao pai com tamanho desejo de que este mudasse de idéia a respeito de alguma coisa,(...)"

"O pai riu, o que deixou Bruno ainda mais triste; nada o deixava mais bravo do que quando um adulto ria dele por não saber alguma coisa, especialmente quando ele estava tentando descobrir a resposta fazendo perguntas."

"(...), embora conversar com uma criada não fosse a mesma coisa do que ter amigos com quem conversar, não havia mais ninguém para lhe fazer companhia e era bem mais saudável falar com ela do que ficar falando sozinho."

"Mas ao pensar no assunto, como fazia agora, era obrigado a admitir que deveria haver mais na vida dela. Ela devia ter pensamentos na cabeça, assim como ele. Devia haver coisas das quais ela sentia falta, amigos que gostaria de rever, assim como ele. E devia ter chorado toda noite até dormir, como teriam feito meninos bem menores e menos corajosos do que ele. Bruno notou que ela era até bonita, o que provocou uma sensação engraçada."

"Situaçãoes como aquela sempre deixavam Bruno num grande desconforto, porque, em seu coração, ele sabia que não havia motivo para faltar com a educação a ninguém, mesmo que a pessoa trabalhasse para você. Afinal, era para isso que existiam as boas maneiras."

"'Estou apenas dizendo o que sinto. Eu sou livre para fazer isso, não?'"

"Ele disse a tal palavra novamente, e alguma coisa no tom rude com que a entoava fez Bruno se sentir envergonhado e desviar os olhos, não querendo tomar parte no que estava acontecendo.
Pavel veio na direção deles e Kotler falou-lhe com insolência, apesar de ser jovem o bastante para ser seu neto."

"(...)não estava mais chorando; o menino apenas olhava para o chão, dando a impressão de que tentava convencer sua alma a não mais habitar o pequeno corpo e a fugir pela janela e voar bem alto até o céu, indo o mais longe possível."


É impressionante como dentro de 186 páginas de uma história super simples sobre a visão de um menino de nove anos do terrível universo que o cerca dentro do seu mundinho, pode caber tanta verdade. Me impressiona a capacidade que algumas palavras têm de transparecer aquelas coisas que todo mundo sabe, mas que tem vergonha de pensar e vergonha de admitir que acontecem assim mesmo e que são horríveis e que muita gente faz todas essas coisas tão feias. Dentro de uma criança sincera pode caber muito mais compreensão da vida do que em milhares de adultos bloqueados e presunçosos, que são incapazes de enxergar a verdade por trás das regras e dogmas ridículos que a sociedade sempre compôs e continua construindo para guiar nossas vidas. Todo mundo devia ler esse livro na vida, é inexplicavelmente sincero.
"Um livro tão simples e tão bem escrito que beira a perfeição."
- The Iris Independent

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