terça-feira, agosto 9
Que bom
:) ah
sábado, agosto 6
e quem é que sou eu?
E falando tanto comecei a ouvir-me bem melhor, e talvez uma coisa precise da outra e sejam partes diferentes de uma mesma pá, pá de cavar fundo a alma de tudo que se vê e sente, seja ou não seja fisicamente. É muita magia ver a vida ir se desenvolvendo mais ou menos na sua cara - só pra ser franca apesar de feiamente -, e poder fazê-la como se quer.
Não sei muito bem o que eu vim dizer aqui mas acho que deu vontade de transcrever ou tentar essa sensação de oneness, de completude, de preenchimento independente que é bem gostosa e chega mesmo a transbordar. O que isso é mais é um desejo, crença de que cresça e atinja quantos der, porque no fim das contas só acontece antes em alguns casulos porque a primavera está chegando e borboletas inúmeras e todas, frágeis e feias por si mesmas talvez - mas juntas coloridas - são necessárias para o voo infalível e tão merecido, tanto, há tantos...
E uma vez sentida dentro desse rebanho imenso, carregamento de vidas pelo ar, vento, deixo para trás todo o meu e me transformo simultaneamente em cada uma das partes que me querem refletir, perceber-me. Bonitamente tornamo-nos uma só coisa, estranha e amorfa da melhor forma imaginável. Cadê eu? Não sei, mas sinto cada momento intensamente como se eu fosse o próprio momento. E devo perguntar mais alguma coisa: quem é que não o é?
Pra onde tudo isso vai é que no fim não sei se sou, mas sinto estar. E ao perguntar-me de novo o que se deu com a ovelha negra, da vida, quem tornei-me quando crescida, só posso dizer uma coisa resumindo tudo;
nada.
, ressuscitou ao terceiro dia...
Me rotulei, o papel com A, Ana.. Ana.. Assassina.
E pensei que entender alguém de um jeito novo e gostoso por ser tranquilo, limpo, fosse matar o amor. Fechei a porta da caverna e curti meu casulo-sabat.
*ouve-se um baque*
Bati em retirada, galgando novos campos, vivendo novos toques, pessoas, lugares. A cada sorriso que se aproxima o dicionário espontaneamente multiplica de forma exponencial todos os seus vocábulos e os joga todos na grande panela de mexer a massa doce, que começa com... V ida.
Bem reparei que não estava indo a lugar nenhum. Ah, se eu tivesse me ouvido antes das gotas de sangue espatifarem-se pelo chão, quem sabe assim um coração a mais povoaria o batuque vermelho que soundtracka o mundo... Mas não, assim eu fui e a borboleta vive com uma asa só.
Consciente do corpo morto que jazia em minha consciência, grande pedaço do peito então gelado, eu voltei. Por mim e só. Com certeza cabe aqui dentro da cabeça-balança todos os contrapontos e as indevidezas, e quem se importa, por que se importa tanto? Cheguei sem mais ninguém e ainda assim jamais sozinha. Ele também foi desfibrilado, esse coisico chamado amor.
E voltou tão lindo e diferente. Altivo, sereno. Despreocupado, talvez até contente de só existir no ar e me pedindo para ser seu instrumento, sua ferramenta. Deixei o amor passar e ele estourou a peneira, explodiu o funil, abriu-se como um mar bravio por sobre todos os ânimos, espalhando todas as suas lindas sete mil cores por mim e por ti e por ali também, e dançamos todos embriagados ao ritmo e ao som da maior pureza que jamais encontraremos novamente. Nossa essência. Que é o alimento desse fungo grande e cor-de-rosa, que voltou e escreve comigo. Ainda bem!
sábado, julho 9
Bem que eu podia
E sem vergonha vou aqui chorar tudo o que foi, desesperadoramente e ainda bem. UFA pelo fim, e maior a bênção de quem nem precisou tentar nem querer ser sofrido/er assim.
Rosto e corpo novos, brilhantes, misteriosamente quase prontos pro que quer que virá, que tanto se/ele(s) quer. Que quer querer. No wonder las preferencias de los satiros. Sorrateiramente entrei na fila dessas todas observadas, dessas tão desejosas da escuridão com que os piscas noturnos revestem qualquer coração adolescente. E dançamos muito.
Lá estávamos, aos catorze, e quantos sorrisos desconhecidos, quantos corpos sem nome, quantos e quantos e todos aqueles copos barulhentos nos rodeando de mundos rodando, rodamos. Gastamos a mesada, água que chovia, com ingressos para o inferno; só que na impressão a amarelinha vinha de cabeça para baixo. Inimaginavelmente emergi, ofegante.
Há algum pouquíssimo tempo (não que já exista muito tempo nessa minha existência de agora), descobri por que. Quis pular na correnteza, mas um navio continuava atracado em mim. Pesado, cheio de sorrisos e abraços e Tevês Colosso de manhã, e de pacotinhos para lá e para cá, e de eu-quero-eu-quero-eu-queros, e de tudo que há de bom na Casa da Harmonia. O quanto a família mora aqui eu não sabia até me ver falando dela sempre e tanto e para quem vier.
Não sei como isso se deu, não sei como agradecer.
É aquela sensação estranha de uma glossy fog envolvendo a princesa distraída pela floresta, que sem os pés no chão foge do fogo do dragão pensando que tudo o que faz é ir atrás de um lindo
Pé de amora.
quinta-feira, julho 7
Matei um senhor
Na verdade o que ele sofria era um câncer.
Desliguei os aparelhos desse doente terminal, e sou capaz de dizer graças à Deus.
Não tenho culpa e nem remorso. Estou Livre.
Do que toda a alma precisa é essa singela impunidade.
foi fim, enfim
(Chico Buarque – Valsinha)
Sabe quando você quer fazer uma coisa e tenta e ainda quer mesmo sendo mais provável que ela não consiga acontecer?
Então, já eram quase dez da noite e ainda assim eu inventei de procurar um filme,
E não achei. E creio que isso não me entristeceu; só fez bem quando eu ganhei de presente aquelas toneladas de gentes passando e existindo ao meu redor e o cenário cinzento e brilhante, que eu adoro tanto. Ah, foi só bonito, pra falar a verdade!
Saí andando pra cruzar a rua e eis que
Passou.
Ele passou.
A cena se repetiu nos tempos que se seguiram, em vida real e em vida sonhada, dormindo e também acordada, em vários lugares, de vários jeitos, que fizeram reviravoltar a corrida desenfreada em que às vezes se pegava o algo que habita o peito, no tempo já tão remoto do seu reinado.
Agora era outro. Outro som e outro compasso, não-sei-como mas sei que diferente. E me pus a investigar-me, dissecar essa minha massa sangrenta.
Caíram pedaços pulsantes, e
olhando pro chão sujo sorri do meu reflexo medonho. Os cabeços ouriçadios, a rebeldia que aquelas rodas rápidas me provocaram, ainda não aprendi a explicar. Senti a maldade que a ansiedade traz, senti o terror de querer invejar, senti à toa a vontade vã de correr de volta pro não sei onde que eu chamava de abrigo, que eu chamei de amor e ecoou.
Só.
E finalmente esse só não soa mais só como solidão. Evoluiu num só de simplesmente, e eu conclui apelidando-o apenas. Passou. E só.
Se a maré não baixar, eu corro, me afogo. Lanço-me, esquecendo toda a razão de crescer que acopla os meus dedos a essas teclas finalmente aquecentes. Fogo. É fogo o que tem que ser e meus palitos não têm caixa de fósforo. Esfregam-se uns nos outros freneticamente, buscando uma faísca de migalha que acenda um caminho que esquente a grama que exale um cheiro que te faça ajoelhar e rastejar, e deixar pelo caminho ensanguentado tudo que minha estrada de lixas doces, de meus amorezinhos, conseguir esfolar desse seu corpo atrofiado.
E quando chegares, ah quando chegares... Receberei teu esqueleto fulminante com todo o carinho que nunca quiseres, em cuja cara está gravado teu cuspe grosso. Esse boneco gordo e desfigurado, recheado das esperanças que você fisiculturalmente espancou, vibrará com seu ingresso, e quando abrires os braços porque só te restam ossos e coração e agora consegues escutar os gritos agonizantes dessa podre e pobre máquina vermelha que tanto ignorastes quando te ensinava o caminho da senda reta para o meu labirinto todo teu, nesse momento meu boneco te agarra.
E te torce com toda a força dos pelos e do corpo obeso até que não se escute mais som nenhum.
Só.
segunda-feira, junho 6
Marca-passo
Preciso falar.
Que seja um grito, uma risada, qualquer movimento assim, vivo e carregado de mim, transbordando de mim, não me cabendo aqui. De novo!
Que voe pela boca, seca de tantas perguntas que as escorre (pela torneira que não quer ser consertada); que rompa a dúvida; e galgando o medo movediço e seus arrepios finque a vitoriosa bandeira num terreno tão misteriosamente verdejante. O outro.
Qualquer outro, qualquer vento que a leve pra onde ela puder fazer brotar um sorriso, talvez um poço fundo e pronto pra fazê-la perambular labirintosamente por algum tempo até que chegue a algum lugar. E toque uma água, e toque uma pedra fria, e as faça vibrar diferente, ainda que no escuro, agora juntas. Enfim juntas. Que dê pra ser esse aconchego, e depois gargalhar feliz e num abraço mágico que não se sabe bem com quem, quando...
... A esse poço velho e trancado, condenado perpetuamente ao escuro obeso da tampa fechada por uma rainha má, mudança arbitrária que já morreu; devolvermos o Sol que é todo seu. E virmos deliciosamente assombrados a emergência daquele arco-íris de floridas borboletas.
terça-feira, abril 19
Que sorriso,
As asas são grandes e lançam a divina purpurina pelos céus,
Enfeitam sorrisos inúmeros. Esquentam corações. Fazem-nos sorrir em nosso humilde trabalho de cegonha crescida, reconhecemo-lo e por isso somos gratos,
Mas elas pesam.
Ah, sim senhor, quilos e quilos de plumas. E a manutenção?
Cada pouso forçado, dos que eu tanto gosto e quero praticamente quase sempre, tinge as plumas superficiais, e vem aquele negro se aproximando, envermelhecendo-me os olhos, desfocando tudo. São impermeáveis, nossas asas.
E eu pergunto: para quem?
Isso é também uma das principais pautas em nossas reuniões semanais, onde consensuamos uma das nossas angústias Top5, chutando baixo: penamos pra nos encharcarmos dessas almas que abraçamos tão e tanto. Sim, sim, porque aquela essência toda não cabe em nossa imaculidade, e a desejamos.
À noite, nas redes que construo mentalmente, vêm me visitar essas criaturas, sedentas de despejar em mim o que não lhes cabe garganta abaixo,
e eu aqui preciso acabar admitindo que não deixo porque não sei como.
Não
Sei
Como.
Depois as deixo, vagando pelos cantos sem se ver em alguém. E me olham de baixo, por que sempre assim?
Nessa carta lhe peço encarecidamente que me deixe refleti-las,
Sim, quero ter em mim penas rasgadas e um buraco, do tamanho muito maior que meu peito só, onde caiba cada um e todos esses espelhos d’água, e só.
Que quando eles sentirem o bafo quente de minhas rosas penas se aproximando, possam se abraçar independentes.
Que isso lhes traga todo o conforto que não acharão no sofá novo, já que este estará recheado de corações velhos, que os molharam de carro com a água da chuva.
Tudo que queremos, eu e eles, e nós juntos quando somos a mesma pessoa, é passar por aquele trechinho de calçada.
Porque está escuro e não conhecemos. Nada.
Então finalmente e pra começar, quando olho para o lado e me surpreendem presenças, obrigada.
Obrigada mesmo que sempre fui a me sentir pertencente. E isso é bom, (ufa), poder de vez em quando fingir que as asas são nada mais que de carnaval, e ter um colo quente onde repousá-las, sem que elas se quebrem de cristal.
Se caírem, lindas mãos de trabalho humano ou não me ajudarão a recolher esses cacos brilhantes, me mostrando em cada minúsculo prisma quantas cores perdíamos admirando as asas chatas, transparentes e só.
Então agora mais e de novo, eu convoco essas mãos e digo que sigam sim, aqui comigo talvez. Mas o céu é grande e cabe sempre, nessa máquina de encaixar. Encaixaremos pelos ventos tudo o que consegui[r]mos abraçar, meus amigos anjos; lembrem-se de que elas nos querem tanto quanto as queremos, essas gotas milagrosas que nos livram da seca das asas perfeitas, tão amargas ao mesmo tempo.
E aí sim o vôo começa, porque tinha que.
quinta-feira, abril 14
Oh darling,
and we've missed the scrambled eggs only.
terça-feira, abril 5
Elis Regina
Agora, o braco nao e mais o braco erguido num grito de gol.
Agora o braco e uma linha, um traco, um rastro espelhado e brilhante
E todas as figuras sao assim, desenhos de luz, agrupamentos de pontos, de particulas;
Um quadro de impulsos, um processamento de sinais.
E assim, dizem, recontam a vida.
Agora retiram de mim a cobertura de carne, escorrem todo o sangue,
Afinam os ossos em fios luminosos,
E ai estou.
Pelo salao;
pelas casas, pelas cidades,
parecida comigo.
Um rascunho.
Uma forma nebulosa feita de luz e sombra,
como uma estrela.
Agora eu sou uma estrela
E depois ela vem e lanca a seguinte:
http://www.youtube.com/watch?v=-Gl4n5eYzW4
isto e,
amor.