domingo, março 29

Por que as pessoas gritam?

Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.
- Mas por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?, questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar?
- Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:
- Vocês sabem por que se grita com uma pessoa quando se está aborrecido? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.

Por outro lado, o que acontece quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê?

destando-nós

Quando você olha para um nó pela primeira vez, e segura e o sente pela primeira vez, dá pra pensar que ele é uma bolinha, uma unidade mesmo, inteira e indivisível. Um macroátomo e dá aquela vontade de desistir e passar de volta pra quem te pediu pra desfazê-lo, ou pro esquecimento que estava impedindo sua memória de tentar solucionar essa inncógnita amontoada.
Mas ela não se dissolve, a não ser que seja naqueles colares bem fininhos e de oouro quando você vai girando devagar com os dois dedos, e não tem coisa mais simples. E faltam colarezinhos simplezinhos fininhos e principalmente de ouro, pra que seja tão corriqueiro desfazê-los quanto criá-los.
E pouco a pouco nossos nós vão se amontoando numa pilha dentro do armario que realmente pesa bastante pra ser aberto, e a vida vai passando. Mas volta e meia alguma coisa chata e um pouco mais fluida acaba escapando pelo vão dessa porta e traz um cheirinho ou um fiapinho de algum nó, de algum dos grandes, de alguns dos boladeneve-nós. E geralmente eles abrem a porta com tudo e derrubam tudo que tem lá dentro em cima de você - aí me vem aquela velha imagem de uma cabecinha de criança confusa sobrando por cima de um montinhoÃO de coisas, mas as coisas são nós, mas os nós são coisas.
Essa é a hora de aprender a desfazê-los. Ou como diria um Pessoa extremamente mais qualificado, essa é a hora da travessia.
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas
que já têm a forma do nosso corpo
e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia…
e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado,
para sempre, à margem de nós mesmos.”
Porque desfazer nós é um processo, que começa por te jogar todos eles como eles estão, embaraçados, confusos, envopltos numa névoa preta que quase te cega pro que realmente é o fogo que a causa. Muitas vezes a gente pensa que cortar um nó resolve, ou escondê-lo, ou trocá-lo por outros nós, mas a verdade é que o armário os recolhe involuntariamente, e mais cedo ou mais tarde acaba voltando tud, mesmo.
Quer dizer, tantas palavras que ouvimos ou pensamos ter ouvido ou inventamos sobre como desfazê-los, e na verdade quem não sabe que não tem outra forma senão tentando e descobrindo seu exclusivo caminho? E sozinho?
Bom, eu só sei que a cada queda da montanha de nós, costuma cair um pouco de poeira junto com eles, costuma baixar um pouco de fumaça, e quem resolver que está na hora de limpar tudo, achar o fogo, apagá-lo e sentar pra aprender ou ser ensinado sobre como se desfaz nós, parabéns. Então finalmente aprendemos a sentir o que vivíamos pensando que precisava ser entendido.'

Valeu a pena,

Ê Ê; ", sou pescador de ilusões.
Navegar é preciso, senão a rotina te cansa!
Me abrace, me dê um beijo, faça um fliho comigo. Mas não me deixe sentar na poltrona num de domingo;
Mar de gente onde eu me atiro sem receio, mar de gente onde eu me sinto por inteiro, e eu me rendo a um milagroso dia;
Pra gente ver o que sobrou do céu.
Se meus joelhos não doessem mais, diante de um bom motivo que me traga fé.
Esperando verdade de criança; um momento bom como lembrança.

É impressionante como quando você se deixa sentir a energia, ela vem e é arrebatadora.
Quer dizer, quantas pessoas podem dizer que vão a um show onde são ceeertamente a excessão, e soltam geral e sentem aquela coisa boa que é qualquer música bem alto e pulam até quase morrer e tiram foto com o chapéu de espantalho maravilhoso e meu, vivem.
É bom deixar essas surpresas da vida nos atingirem, porque nunca é igual e é sempre tão bom;
tipo a pérola que sai da concha, porque lá dentro ela não é nada;
mas se atirar no mar de gente, na vida, na festa, na música, e usar cada pedacinho de si mesmo pra pular e gritar e cantar e sentir cada vez mais alto, isso é inesquecível, imprescindível, isso pra mim é viver.
Ah, vivemos hein meninas

segunda-feira, março 16

CATEDRAL

O deserto que atravessei, ninguém me viu passar. Estranha e só, nem pude ver que o céu é maior. Tentei dizer, mas vi você: tão longe de chegar.. ais perto de algum lugar.
É deserto onde eu te encontrei. Você me viu passar, correndo e só. Nem pude ver que o tempo é maior. Olhei pra mim... Me vi assim: tão perto de chegar onde você não está.
No silêncio uma Catedral, um tempo em mim. Onde eu possa ser imortal; mas vai existir, eu sei vai ter que existir. Vai resistir nosso lugar.
Solidão... Quem pode evitar? Te encontro enfim, meu coração é secular. Sonha e desagua dentro de mim... Amanhã devagar, me diz como voltar..
Se eu disser que foi por amor não vou mentir pra mim... Se eu disser deixa pra depois, não foi sempre assim...
Tentei dizer... Mas vi você... Tão longe de chegar, mas perto de algum lugar.
(ZÉLIA DUNCAN)

SEGURE

Segure tudo que for conquistado, segure tudo que não for de mais. Segure o braço do seu namorado! Segure a menina, rapaz!
Assegure um amor sem despedida, dando amor e lealdade. Pra não terminar a vida no tal bloco da saudade..
Assegure o pão de cada dia, trabalhando com vontade! Segura, segura, segura, não larga essa tal felicidade.
Avareza é um defeito, você nunca foi assim! Eu também tenho direito de tocar meu tamborim;
SEGUUURE..
(Martinho da Vila)

EU .

Marisa Monte - Beija Eu

Seja eu!

Seja eu! Deixa que eu seja eu, e aceita o que seja seu. Então deita e aceita eu...
Molha eu! Seca eu! Deixa que eu seja o céu, e receba o que seja seu. Anoiteça e amanheça eu..
Beija eu!

Beija eu! Beija eu, me beija.. Deixa o que seja ser.. Então beba e receba meu corpo no seu corpo eu, no meu corpo. Deixa! Eu me deixo. Anoiteça e amanheça...
Seja eu!

Seja eu! Deixa que eu seja eu, e aceita o que seja seu. Então deita e aceita eu...
Molha eu!

Seca eu! Deixa que eu seja o céu, e receba o que seja seu. Anoiteça e amanheça eu..

Aaaaah! ah ah ah ah! ah!
Ah! ah ah ah!
Ah! ah ah ah!
Ah ah ah!...

Beija eu! Beija eu! Beija eu, me beija. Deixa o que seja ser... Então beba e receba meu corpo no seu corpo eu, no meu corpo. Deixa! Eu me deixo. Anoiteça e amanheça...

ACREDITAR

"Difícil. Essa é a palavra à qual as vezes nos aferramos
para não tentar o impossível."

(Carola Gowland)

George Bernard Shaw (1856-1950)

"Um homem instruído é um folgado que mata o tempo estudando."
Falou tudo,
não adianta nada saber,
sem ao menos tentar fazer
pros outros.

BURGUESIA .

A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia


A burguesia não tem charme nem é discreta
Com suas perucas de cabelos de boneca
A burguesia quer ser sócia do Country
A burguesia quer ir a New York fazer compras

Pobre de mim que vim do seio da burguesia
Sou rico mas não sou mesquinho
Eu também cheiro mal
Eu também cheiro mal

A burguesia tá acabando com a Barra
Afunda barcos cheios de crianças
E dormem tranqüilos
E dormem tranqüilos

Os guardanapos estão sempre limpos
As empregadas, uniformizadas
São caboclos querendo ser ingleses
São caboclos querendo ser ingleses

A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia

A burguesia não repara na dor
Da vendedora de chicletes
A burguesia só olha pra si
A burguesia só olha pra si
A burguesia é a direita, é a guerra

A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia

As pessoas vão ver que estão sendo roubadas
Vai haver uma revolução
Ao contrário da de 64
O Brasil é medroso
Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Pra rua, pra rua

Vamos acabar com a burguesia
Vamos dinamitar a burguesia
Vamos pôr a burguesia na cadeia
Numa fazenda de trabalhos forçados
Eu sou burguês, mas eu sou artista
Estou do lado do povo, do povo
A burguesia fede - fede, fede, fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia

Porcos num chiqueiro
São mais dignos que um burguês
Mas também existe o bom burguês
Que vive do seu trabalho honestamente
Mas este quer construir um país
E não abandoná-lo com uma pasta de dólares
O bom burguês é como o operário
É o médico que cobra menos pra quem não tem
E se interessa por seu povo

Em seres humanos vivendo como bichos
Tentando te enforcar na janela do carro
No sinal, no sinal
No sinal, no sinal

A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
(CAZUZA)

A AFABILIDADE E A DOÇURA .

"A benevolência para com os semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que lhe são a manifestação.
Entretanto, não é preciso fiar-se sempre nas aparências; a educação e o hábito do mundo podem dar o verniz dessas qualidades.
Quantos há cuja fingida bonomia não é senão máscara para o exterior, uma roupagem cuja forma premeditada esconde as deformidades ocultas!

O MUNDO ESTÁ CHEIO DESSAS PESSOAS QUE TÊM O SORRISO NOS LÁBIOS E O VENENO NO CORAÇÃO; que são brandas, contanto que nada AS machuque, mas que MORDEM À MENOR CONTRARIEDADE; cuja língua dourada, quando falam face a face, se transmuda em dardo envenenado, quando estão por detrás.

A essa classe pertencem ainda esses homens benignos por fora e que, tiranos domésticos, fazem sofrer, sua família e seus subordinados, o peso do seu orgulho e do seu despotismo, como querendo-se compensar do constrangimento que se impuseram alhures(em outros lugares);
(http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u534668.shtml)
não se atrevendo a usar de autoridade sobre estranhos que os recolocariam em seu lugar, eles querem ao menos ser temidos por aqueles que não podem resistir-lhes;
sua vaidade alegra-se de poder dizer: "Aqui eu mando e sou obedecido"; sem pensar que poderiam acrescentar com mais razão: "E sou detestado."

Não basta que dos lábios gotejem leite e mel, pois se o coração nada tem com isso, há hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas, nunca se contradiz; é o mesmo diante do mundo e na intimidade; ele sabe, aliás, que se pode enganar os homens, pelas aparências, não pode enganar a Deus."
(LÁZARO, Paris, 1861)